Qualidade e produtividade do trabalho têm que crescer junto com criação de vagas


A recuperação do mercado de trabalho tem sido consistente e contínua, apesar de estar longe de compensar a destruição de postos causada pela recessão. O Ministério do Trabalho divulgou nesta segunda-feira (20) que foram criadas 76.599 vagas com carteira assinada em outubro. A mediana das expectativas de mercado estava em torno de um saldo de apenas 11 mil vagas. A surpresa com resultados sobre emprego não é mais uma surpresa. Desde que começou a reagir em março deste ano, quando ninguém esperava, os dados sobre geração de postos de trabalho passaram para o terreno positivo e não saíram mais. Tanto pelas pesquisas feitas pelo IBGE, quanto pelos registros do Caged, há sete meses seguidos o país cria vagas. A discussão que cabe agora sobre o mercado de trabalho no Brasil não está mais na sua trajetória ou nem mesmo na velocidade da recuperação, mas sim na qualidade. Qualidade no trabalho também não tem a ver apenas com o registro formal dos empregados, tem a ver com a produtividade de cada trabalhador. Neste quesito o país está hoje num dos piores momentos dos últimos quase quarenta anos. Hoje, precisamos de quatro trabalhadores para fazer o que um americano produz sozinho, o mesmo patamar que tínhamos na década de 80. A recuperação do emprego, num primeiro momento, dificilmente vai conseguir corrigir esta enorme diferença. A produtividade depende de muitos fatores, dentre eles, uma melhor educação desde a base até a vida adulta. Infelizmente nesta área também estamos deixando a desejar. A tecnologia e a inovação, outros fatores que incentivam ganhos de produtividade, não figuram na lista de prioridades para investimento, a não ser os pontuais, capitaneados por setores mais desenvolvidos da economia que dependem disso para tocar seus negócios. Mas sem escala, os ganhos ficam limitados. O Banco Mundial divulgou recentemente um ranking com a quantidade de horas necessárias em cada país para lidar com o sistema tributário. O Brasil é campeão, com 1958 horas por ano! Pelo menos para os contadores, podemos dizer que não deve faltar trabalho. Um outro estudo feito pela Stefanini revelou que a cada 200 funcionários das empresas 1 trabalha na área contábil no Brasil. Nos Estados Unidos, a proporção é 1 para mil e, na Europa, 1 para 500. Estas são outras referências negativas que revelam a erosão da produtividade no país nos últimos anos. Os dados do Caged de outubro são bons e alentadores. Cada brasileiro sem renda e sem trabalho que consiga uma vaga é motivo para comemoração. Mas estamos longe de comemorar avanços significativos, mesmo nos surpreendendo com a evolução do mercado de trabalho, enquanto a qualidade do emprego e a produtividade não caminharem juntas com os resultados positivos.


Fonte: http://g1.globo.com/economia/blog/thais-heredia/post/qualidade-e-produtividade-do-trabalho-tem-que-crescer-junto-com-criacao-de-vagas.html

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